terça-feira, 6 de setembro de 2011

LIBERDADE DE OPINIÃO, RESTRIÇÃO A MENTIRA

O recente escândalo de violação de direitos do cidadão cometidos pela revista Veja contra Zé Dirceu, dirigente do PT, traz o oportuno debate sobre a necessidade de controle social da mídia. Para quem pouco sabe sobre o ocorrido, a revista Veja está sendo acusada de violar a intimidade do dirigente do PT, escondendo câmeras no hotel onde o dirigente se hospeda em Brasília. Um repórter da revista teria instalado câmeras e tentado invadir o quarto do dirigente, segundo boletim de ocorrência registrado pelo gerente do Hotel. O repórter também teria usado um nome falso para se registrar no hotel e chegar até o dirigente do PT. Ao ser descoberto, o jornalista da Veja fugiu sem pagar a conta e teve o nome envolvido em outro boletim de ocorrência. Depois de tudo, ouvi dizer (pois não leio a Veja e por isto Vejo mais longe), publicou matéria em que vinculava José Dirceu a um complô delirante para prejudicar o governo Dilma. Este fato não é isolado no Brasil. Tivemos recentemente o fechamento de um jornal britânico “News of the Word”, da família Murdoch, acusado de grampear telefones de milhares de pessoas, incluindo celebridades, membros da família real britânica, políticos e até familiares de vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001. Cresce no mundo uma vertente do jornalismo que não fornece informação e opinião ao público, mas ao contrário, atua numa guerra de informação e contra informação próxima à ação da propaganda nazista do período anterior e durante a segunda grande guerra. As conseqüências são conhecidas na história ocidental do século passado. Exemplo de descompromisso com a realidade ocorreu também no estado do Paraná, onde um Blog em texto travestido de notícia insinuando que o deputado Tadeu Veneri, do PT do Paraná, pensa em sair do partido. No mesmo espaço, foram publicadas outras “notícias” nomeando o deputado federal Dr. Rosinha e Tadeu Veneri, ambos pré-candidatos do PT à prefeitura de Curitiba, como protagonistas de uma tática destinada à credenciá-los como vice de outra candidatura que não a do PT para a prefeitura da capital paranaense. A mídia paranaense, incluindo Blogs de compromisso duvidoso com a verdade, constantemente, colocam na boca do ministro Paulo Bernardo e da Ministra Gleisi, insinuações ou afirmações que nunca foram feitas. O mais constrangedor é que estas insinuações ou inverdades apresentadas como juízos ou afirmações acabam por organizar as ações de dirigentes partidários, militantes e opinião pública, demonstrando eficiência em confundir aqueles que lhes dão algum crédito.
O compromisso destes Blogs, assim como da revista Veja e de outros veículos de comunicação não é o da informação, mas o da obstinada desinformação uma vez que utilizam do artifício da invenção de fatos ou promoção de factóides para tornar uma mentira verdade. Por isto defendo o controle social da mídia. Não para controlar a livre manifestação das idéias, sejam elas quais fores, mesmo as de conteúdo político de direita comuns em jornais europeus e dos Estados Unidos da América, nem mesmo para inibir a divulgação de fatos que estejam obscuros aos olhos do interesse público, como o caso do uso de aviões sem contrato público utilizado pelo governador Beto Richa, denunciado em primeira mão pelo Blogueiro Esmael Moraes, censurado pela justiça a pedido do governador. Ao contrário, defendemos o controle da mídia para a restrição da mentira, da calúnia, do dano moral irreversível, individual e coletivo. Propomos a restrição da criminosa ação de empresas jornalísticas e de profissionais travestidos de jornalistas, que desrespeitam o direito público à informação ancorada em evidências de veracidade ou verossimilhança com a realidade. Este jornalismo tem por missão fabricar cenários ilusórios, utilizando o artifício da mentira, com o firme propósito de desinformar, esconder o que não pode ser dito, publicar seu modo de ver o mundo e agir sobre ele, como se fosse o único possível e viável. Hoje, a tecnologia oferece condições de retirar o véu da pretensa “notícia travestida de verdade” e contestar por meio de Blogs, sites, microblogs e redes sociais as mentiras e as formas criminosas com que muitas empresas de comunicação têm atuado no Brasil, como constatamos no recente escândalo da revista Veja, que deve ser investigada e julgada na forma da Lei, uma vez que há previsão no código penal das infrações por ela cometida. Esperamos que o governo da presidenta Dilma, apoiada pelo 4 Congresso Extraordinário do PT, aproveite a oportunidade e encaminhe projeto que propõe a regulação da mídia no Brasil, dê asas à liberdade de opinião e ao controle da Calúnia e da mentira.

sábado, 30 de julho de 2011

Primeiro balanço do IX Frepop - VI Internacional, ocorrido em Lins (SP), Brasil

(http://ongfrepop.blogspot.com/)

O IX FREPOP – VI Internacional (Fórum Regional de Educação Popular do Oeste Paulista), realizado entre os dias 19 e 23 de julho de 2011, sob tema eixo: Educação Popular: um projeto político e social em construção no Brasil e na América Latina teve a participação de quatrocentos e oitenta inscritos, sessenta e seis convidados nacionais e treze internacionais. Nesta edição realizamos, ainda, o Primeiro Frepopinho, reunindo 280 crianças, filhos/as dos participantes e de projetos sociais da cidade de Lins em atividades lúdicas sobre o meio ambiente, o consumo sustentável e brincadeiras coletivas nos três dias do FREPOP. Ao todo, foram 839 (oitocentos e trinta e nove) pessoas participantes de todas as atividades oferecidas pelo evento, ao longo de seus cinco dias de funcionamento.

Os participantes do IX FREPOP – VI Internacional, vieram de dezesseis estados do Brasil: AL, AM, BA, CE, DF, MG, MS, MT, PB, PE, PR, RN, RS, SC, SE e SP. Os convidados internacionais têm origem em dez países: África do Sul, Argentina, Cabo Verde, Chile, Escócia, Índia, Itália, Peru e Zimbábue (além de contar com um participante do Haiti); e de quatro continentes (África, Ásia, América do Sul e Europa).

O que ocorreu no IX FREPOP – VI Internacional

O eixo central do IX FREPOP – VI Internacional: Educação Popular: Um projeto político e social em construção no Brasil e na América Latina está associado ao fazer, portanto os painéis nacionais e internacionais, além das mesas temáticas, estavam associados às práticas dos/as educadores/as nas comunidades nas quais estão inseridos.

No FREPOP ocorreram nove Painéis Internacionais; quatro Nacionais; sessenta círculos temáticos, rodas de conversa e comunicações; vinte oficinas; sete exposições fixas; quatro sessões de vídeo; nove atividades culturais e a Tenda de Educação Popular "Paulo Freire", onde os participantes, além de terem acesso aos debates sobre os conhecimentos populares em saúde tiveram acesso aos cuidados alternativos. Pela primeira vez no FREPOP, ocorreu também um encontro interreligioso; a participação da coordenação do Fórum em reunião com os agentes de saúde de Lins, secretaria municipal de saúde e representante do Ministério da Saúde para discutir a situação das agentes de saúde no município; e, uma visita aos/as trabalhadores/as da usina de reciclagem de Lins.

Envolvimento na organização IX Frepop – VI Internacional

Além da direção da ONG FREPOP (Fórum de Educação Popular), responsável pelo Fórum Regional de Educação Popular do Oeste Paulista, participaram quinze famílias da cidade de Lins que acolheram mais de sessenta e cinco participantes que não tinham condições de custear sua estadia duranrete o FREPOP e cinquenta e oito voluntários/as que trabalharam na recepção, acolhida e organização dos espaços de trabalho. Faz parte da metodologia de organização do FREPOP, a construção coletiva e o comprometimento de educadores/as, voluntários da comunidade onde o fórum é realizado.

Desafios para os próximos Fóruns de Educação Popular

A nona assembléia do FREPOP, realizada ao final do Fórum, aprovou que o FREPOP, por sua abrangência nacional e adesão internacional, não cabe mais na caracterização de “Fórum Regional do Oeste Paulista” como foi iniciado e denominado até a presente edição. Portanto, a assembléia decidiu que o X FREPOP – VII Internacional, que está programado para o ano de 2012, será denominado X Fórum de Educação Popular (X FREPOP - VII Internacional).

Seu principal desafio é aglutinar Redes, Grupos e Articulações de Educação Popular de caráter nacional, além das redes Latino Americanas, para apropriarem-se do FREPOP como um dos espaços de sua articulação, sistematização e debate em torno da Educação Popular que se faz nos diversos setores da sociedade brasileira e da América Latina.

X Fórum de Educação Popular (X FREPOP – VII Internacional) - 2012

A organização do X Frepop – VII Internacional tem enormes desafios pela frente. Além de articular Redes, Grupos e Articulações brasileiras e Latino Americanas para apropriarem-se do FREPOP como um de seus espaços de sistematização e fazer cotidiano da Educação Popular, tem agregado o desafio da captação de recursos (sempre uma enorme dificuldade a ser superada) e desafio de fechar um ciclo e abrir outro. Não somente pelo significado quantitativo de ser o décimo FREPOP, mas, por esta nona edição ter consolidado a presença marcante de militantes do Norte e sobretudo do Nordeste do País com delegações que viajaram dois e três dias de ônibus e vans, além da presença de lideranças e ativistas sociais dos Estados do Sul e Sudeste para participar do IX FREPOP – VI Internacional. Esta marcante presença nos dá enormes responsabilidades com o futuro do FREPOP, por compreendermos a necessidade de sistematizar estes nove anos de existência, sua forma particular de organização, acolher e encaminhar os diálogos horizontais que nele se realizam. Sistematizar sua contribuição para a Educação Popular, para as declarações pessoais e coletivas que nele se realizam, de compromisso com o povo e sua capacidade de luta, de comprometimento com o conhecimento compartilhado, onde cada um, na sua particular e simples forma de ser, carrega uma compreensão de mundo legítima, e um saber próprio para compartilhar com o outro.

A nona assembléia geral do FREPOP decidiu que sua décima edição ocorrerá em Lins, fechando este ciclo, e que será proposto às redes de Educação Popular do Brasil e da América Latina participar de sua concepção, mobilização e organização, iniciando um novo processo para as edições futuras.

Neste sentido, definiu-se realizar encontros regionais, municipais, de grupos ou setores, para mobilizar o X FREPOP – VII Internacional.

Nestes encontros serão pautados:

a) A história do FREPOP, sistematização de sua forma de organização e contribuição para a Educação Popular por meio de depoimentos de seus participantes e um vídeo que está sendo produzido;

b) A sugestão de temas a serem discutidos do X FREPOP – VII Internacional;

c) A sugestão de nomes a serem convidados para os Painéis Nacionais e Internacionais, além dos círculos temáticos e oficinas do X FREPOP – VII Internacional;

d) A divulgação e mobilização dos grupos, comunidades, redes sociais, articulações e setores para participar do X FREPOP – VI Internacional;

e) As formas de financiamento para viabilizar as viagens das delegações até Lins (SP), para participar do X FREPOP – VII Internacional

FREPOP 2013

Na preparação da nona assembléia geral recebemos sugestões para que o FREPOP seja realizado em outras cidades e estados do país, uma vez que não está mais caracterizado como um fórum regional do oeste paulista. Entre elas, a cidade de Piracicaba (SP), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF). Definimos que a decisão de onde será realizado o FREPOP 2013 será tomada na sua décima Assembléia Geral em Lins, ao final do X FREPOP – VII Internacional. Este processo incluirá:

a) A sistematização do modo de fazer o FREPOP no acúmulo de suas dez edições a serem discutidos e sistematizados nos encontros de mobilização que precederão sua décima edição;

b) A formulação de uma carta de princípios a ser desenvolvida coletivamente na lista de e-mails e sob a responsabilidade da direção da ONG FREPOP e discutida nos encontros de mobilização;

c) Capacidade de captação e gestão dos recursos materiais da parceria onde será realizado o FREPOP;

d) Legitimação na décima plenária nacional do FREPOP, que será realizada no X FREPOP – VII Internacional em Lins.

Compromisso da coordenação da ONG FREPOP e da organização do IX FREPOP – VI Internacional

Encaminhar por e-mail, aos participantes do IX FREPOP – VI Internacional, em formato de avaliação e sistematização para que todos/as os/as que participaram do Fórum Regional de Educação Popular do Oeste Paulista, sejam avaliadores do que foi marcante e do que necessita ser melhorado, além do processo de sistematização do que foi realizado.

Prestar contas dos recursos utilizados no FREPOP aos colaboradores/as e a comunidade frepopiana.

Divulgar a avaliação e sistematização das experiências do FREPOP, antes do final do ano de 2011, para que contribua para a organização do FREPOP 2013.

Agradecimentos

Agradecemos a todos e todas que direta ou indiretamente participaram do IX FREPOP – VI Internacional. Especialmente as/os voluntárias/os que organizaram, acolheram e trataram de todas as demandas apresentadas pelos participantes, mesmos as críticas, como legítimas. Agradecemos às famílias linenses que acolheram tão generosamente os nossos participantes. E por fim, agradecemos as organizações que colaboraram materialmente com a realização desta edição do FREPOP, a quem mencionamos: Prefeitura Municipal de Lins, Universidade Estadual Paulista (UNESP); Itaipu Binacional; Rede de Educação Cidadã (RECID), Associação dos Professores do Estado de São Paulo (APEOESP) e Centro Universitário de Lins (UNILINS). Somam-se a estes, os parceiros que atuaram pela mobilização deste Fórum as redes, como o CLADIN, MOPS, ANEPS, IAL, ITS/Brasil e UNIPOP/NE.

Marcio Cruz
Presidente da ONG FREPOP
Coordenador Geral do IX Frepop – VI Internacional

Demais membros da Coordenação:
Antonio Folquito Verona, Cláudia Pereira Xavier, Cleusa Perini, Denise Rocha Pereira, Edilene Lopes, Salete Elias da Silva Castro e Simone Maria Leite Batista.

Secretaria Geral:
Salete Elias da Silva Castro.

Coordenadora do Frepopinho:
Denise Rocha Pereira

Coordenadora da Tenda Paulo Freire:
Simone Maria Leite Batista

Comissão de Exposição e Comunicações:
Aline da Silva Oliveira, Cláudia Pereira Xavier, Deraldo Ferreira Neto e José Aparecido Silva Queiroz

Comissão de Documentos e Certificados:
Anderson da Silva e José Ricardo Pullito

Comissão Cerimonial Abertura:
Adriana Oliveira Rodrigues, Maria Aparecida Saldanha Rosa Gonçalves e Tânia Cristinha Jorge.

Comissão de Credenciamento:
Coordenadoras: Maria do Perpetuo Socorro Gomes de Oliveira Léles, Lucimara Tagliaferro;
Integrantes: Ana Ligia Vilela Nerva, Aparecida Salete Nardi, Daniela Laura Rodrigues de Lima, Emanuela Raquel dos Santos Rodrigues Roque, Fernanda Francisco Boccio Silva, Karina Aparecida Secchi, Karoline Tomaz da Silva, Lucia da Silva Luciana, Lucileide Maria TagliaFerro, Lucimar Celestino de Carvalho, Maria José dos Santos, Milene Barbosa Pereira, Silvana Maria de Souza Cruz, Suellen Fernanda Brandão, Tamiris Mariene Rafael Santana e Verusta Guinder Corrêa.

Comissão Auxiliar:
Celso Chagas de Castro, Eduardo Silva Pinto e Evandro Rafael Vieira do Nascimento

Responsável Pelo Espaço Físico do Evento:
José Boscheto

Equipe de Hospedagem Gratuita/Familiar:
Antonio Folquito Verona, Benedita Aparecida de Oliveira, Inês Dezotti e Maria Zoraide da Silva Bragante

Equipe de Tradução
Coordenadores: Antonio Folquito Verona e Regiane Aparecida Silva Zacarias;
Tradutores: Camila Soares Lopez (francês), Carlos Felipe da Silva dos Santos (espanhol), Jônatas Domingues de Almeida Chizzolini (inglês), Karina Loncorovici (inglês), Tâmara Lopez Santos (inglês) e Tânia Paola Celedón Espinoza Martino Paris (espanhol).

segunda-feira, 18 de julho de 2011

IX FREPOP - VI Internacional
Fórum de Educação Popular

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE LINS (UNILINS) - LINS (SP)
DE 19 A 23 DE JULHO DE 2011

Tema Central:

EDUCAÇÃO POPULAR: UM PROJETO POLÍTICO E SOCIAL EM
CONSTRUÇÃO NO BRASIL E NA AMÉRICA LATINA
– UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL-

Temas Eixos:

I - Combatendo a violência;
II - Construindo a Economia Popular: solidária e autogestionária;
III- Resistindo e re-significando nas comunidades: originárias, quilombolas e camponesas;
IV - Articulando as redes de Informação para a organização social;
V - Promovendo a sustentabilidade alternativa do meio-ambiente;
VI - Conquistas e lutas da mulher na sociedade
VII - Infância, Adolescência e Juventude: construções e desconstruções;
VIII - Organizando a Educação Popular como política pública na saúde, na educação, no campo, na cidade, nas comunidades originárias, quilombolas e camponesas.

Informações no site: www.frepop.org.br

sexta-feira, 27 de maio de 2011

EDUCAÇÃO POPULAR: UM PROJETO POLÍTICO E SOCIAL EM CONSTRUÇÃO NA AMÉRICA LATINA E NO BRASIL - UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL

O IX FREPOP – VI Internacional firma seu compromisso e responsabilidade em construir um espaço onde se possa compartilhar as experiências de Educação Popular e sua intervenção na realidade. Nestes nove anos, centenas de educadores/as consolidaram o FREPOP como espaço para o debate respeitoso e horizontal, em painéis nacionais e internacionais, oficinas, mesas e rodas de conversa.

Nesta nona edição que será entre os dias 19 e 23 de julho de 2011, na cidade de Lins, SP, o FREPOP atuará no tema “UM PROJETO POLÍTICO E SOCIAL EM CONSTRUÇÃO NO BRASIL E NA AMÉRICA LATINA – UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL”.

Na contramão do que apregoam os arautos do neoliberalismo, o recente período histórico do Brasil e da América Latina desenvolveu capacidade extraordinária de inspirar parcelas da população para atuar em movimentos sociais, sindicais, camponeses, urbanos, de comunidades tradicionais, mulheres, juventude, da população LGTBT, povos da floresta, entre outros, promovendo por meio da Educação Popular os pilares do respeito ao próximo e da solidariedade social.

Foi na luta social que o povo latino americano se forjou, e ainda hoje resiste em várias frentes, sobrevivendo e construindo sua condição histórica como sujeitos de direitos.

Há muito, o FREPOP extrapolou as relações regionais, berço de sua história. Pois, nos reconhecemos nos quatro cantos do país, e nos cinco continentes, com centenas de homens e mulheres que se desafiam a atuar junto ao povo e não em seu nome. Atuam por meio da Educação Popular para que se possa reconhecer a interpretação popular do mundo de hoje, e, descrevê-lo na perspectiva de que o capitalismo não será o último modelo econômico e social da humanidade.

Ao realizar sua IX edição nacional e VI internacional, o FREPOP inscreve-se como um espaço de colaboração para a Educação Popular do Brasil e do mundo. Propõe reunir educadores/as e redes de educação espalhados nos cinco continentes, em especial na America latina e no Brasil, militantes sociais e pessoas que queiram compartilhar sonhos, utopias e práticas emancipatórias.

Nos painéis, mesas, oficinas e rodas de conversa, a proposta do FREPOP é apresentar em oito eixos temáticos as práticas populares que estão: 1) Combatendo a violência; 2) Construindo a Economia Popular: solidária e autogestionária; 3) Resistindo e re-significando nas comunidades: originárias, quilombolas e camponesas; 4) Articulando as redes de Informação para a organização social; 5) Promovendo a sustentabilidade alternativa do meio-ambiente; 6) Conquistas e lutas da mulher na sociedade; 7) Infância, Adolescência e Juventude: construções e desconstruções; 8) Organizando a Educação Popular como política pública na saúde, na educação, no campo, na cidade, nas comunidades originárias, quilombolas e camponesas.

Como nas edições anteriores, a organização e a execução das tarefas do IX FREPOP – VI Internacional é voluntária. Custos operacionais são assumidos por entidades parceiras da sociedade civil e setores de governos que tem programas comprometidos com os pressupostos e da trajetória do FREPOP.

Convidamos a todos/as para compartilhar sua forma de ver e estar no mundo, pois nenhum de nós pode tanto quanto todos nós juntos!

Marcio Cruz
Presidente da ONG FREPOP
www.frepop.org.br

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O que encanta-me no México, não é o passado, mas o presente!

Descumpri minha promessa de atualizar o Blog todos os dias, hoje vou renovar em parte e tentar cumprir com os demais dias. Vim ao México para fazer o Curso de Coaching Antológico da Newfieldt Consulting. O Curso iniciou hoje, e chegando domingo a noite, tratei de conhecer um pouco mais do México e sua cultura antes de chegar a Querétaro, cidade onde esta sendo realizado o curso. Na terça visitei as Pirâmides de Teotihuacan, ontem, o Palácio das Belas Artes, o Museu do Templo Maior, e o Museu Dolores Olmedo Patino. Pensava em ir a casa de Frida Kahlo, mas o taxista entendeu errado e acabou me levando a casa onde há obras de Frida, mas não a casa onde ela morava.

Nas piramides de de Teotihuacan conheci os vestígios da civilização pré-colombiana artefatos e escavações arqueológicas que identificam o território Teotihuacan como sendo um local multi-étnico, incluindo Zapotecas, Mixtecas, Maias e mesmo Nahuas.

No Palácio das Belas Artes, a pintura moderna, a mais impressionante conclusão é que ainda se mantém vivo o espírito de artistas Diego Rivera, que marcou seu tempo com painéis racionalistas, e nacionalistas. Evocando a razão contra a tradição e a religião, e pregando nesta razão a virtude do socialismo como uma possibilidade histórica.

O museu apresenta claramente os debates ideológicos dos últimos três quartos do século XX. No entanto, o que mais me encantou, neste México, foi a vida presente, aquela que se move, chora, empunha bandeiras, cerra os punhos, grita e ainda hoje luta por um México onde sem explorados, com divisão de renda, com respeito as diferenças e a dignidade humana. Em frente ao Palacio das Belas Artes se reuniu na quarta pela manhã uma multidão protestando contra o governador do Distrito federal (cidade do México) pelas altas taxas da água, em especial pelos impostos. Os cartazes diziam que agua não é negócio e sim necessidade humana. Haviam muitas bandeiras do PRD (Partido da Revolução Democratica) e muitos jovens e velhos.
O que encanta-me no México, não é o passado, mas o presente!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O povo mexicano faz da sua voz, sua arma.

Hoje caminhei pelo Centro Histórico da Cidade do México e por ser segunda-feira não encontrei nenhum dos museus abertos. No entanto, tive a feliz oportunidade de encontrar o povo mexicano, no sentido popular da palavra, reunido na Plaza de la Constitución. Estão acampados na praça em frente ao Palácio Nacional e da Catedral sindicalistas, trabalhadores de várias categorias, do setor público e privado, estudantes, donas de casa, mulheres trabalhadoras, advogados, jornalistas e tantos outros, se somaram desde o dia 6 de abril com 20 mil pessoas que marcharam para o Zócalo (nome que se dá a Praça da Constituição) e lá, entidades, movimentos sociais e sindicais firmaram acampamento permanente para mobilizar a sociedade mexicana a pedir a renúncia de Felipe Calderón, político conservador do Partido da Ação Nacional. Seu alinhamento com os Estados Unidos empobrece o povo mexicano e enche de alegria as empresas americanas que aqui enriquecem a custa da miséria do povo, que não se rende.

Conversando com Victor Armando Pascoal, professor e artista popular que carregava uma bandeira e um sorriso que contagiava quem por ele passavam, ele dizia:“ amo o México, e estes mexicanos gringos, saqueiam o povo que esta morrendo de fome. São 60 milhões de desempregados no México e não há educação pública. Querem que o México seja o quintal dos americanos, mas nós queremos liberdade para fazer do nosso país um país sem miséria!”

O palácio do governo estava cercado de grades e seguranças fortemente armados desde o dia da tomada de Zácalo.  A voz de cantores da organização do povo e da revolução mexicana ecoavam na praça, para o desgosto dos poderosos.

Hoje percebi que a revolução mexicana é permanente, que o povo oprimido está nas ruas e nas praças fazendo de sua voz sua arma. Chegará o dia em que a arma será a voz do povo!

domingo, 10 de abril de 2011

Na Cidade do México

Dia 10 de abril. Na cidade do México são 22h10, com o fuso horário de duas horas a menos que no Brasil onde são 0h24. Depois de desembarcar no Aeroporto Internacional da Cidade do México - Benito Juarez, peguei um táxi para o hotel que fica no Centro Histórico da cidade. No trajeto o mesmo de sempre. Não importa em qual grande cidade nos encontramos no Ocidente a pobreza e a riqueza têm o mesmo aspecto.

Logo no saguão do aeroporto, dois homens limpavam enormes vidros que emparedavam a sala da imigração. Não tinham aspecto agradável. Sua aparência contrastava com os Mexicanos que desembarcavam comigo, vindos do Brasil. Aparentemente homens e mulheres de negócio ou turistas. Talvez algum estudante, ou pessoas de Estado, mesmo assim, um abismo aparente entre os viajantes e aqueles que metodicamente limpavam os vidros já transparentes do imenso aeroporto.

No trajeto do táxi, carros velhos e novos. Edifícios luminosos e outros opacos que não guardavam qualquer lembrança com o século XXI, mas habitado por pessoas deste tempo. Se parecem muito com as habitações populares das grandes cidades do Brasil, que mais se parecem caixotes de guardar gente.

Amanhã pretendo conhecer um pouco da lembrança que este lugar guarda (o Centro Histórico da Cidade do México) da revolução que marcou o México no início do século passado (1910). Aparentemente, como já disse Fidel, muitas vitórias por independência, criaram outro tipo de colonialismo, o mesmo que vivíamos (ou ainda vivemos?) no Brasil, o colonialismo econômico, nova forma de dominação capitalista, que transforma os pobres e os ricos de qualquer parte do mundo Ocidental com o mesmo aspecto.

Perdoem os leitores o tom quase melancólico de desabafo, mas na viagem quase li de uma única vez, o livro Fidel e Che, uma amizade revolucionaria (Simon Reid-Henr, Ed. Globo, 2010) que ganhei dos meus amigos Augusto (Gugu) e Fabiana. A narrativa desta amizade faz com que o filtro de meus olhos sejam o da minha classe olhando a profunda desigualdade promovida por este estagio do capitalismo.

Vamos ver o quanto meu espírito se apresenta no resto da viagem....

Buenas Noche!